• Driele Quinhoneiro

A tarde em que o coração explicou para mente sobre a natureza




Após 15 dias em um paraíso envolto pela natureza, sento me ao entardecer para sentir o corpo esquentar com as últimas horas de sol. Ali começo a me despedir das árvores e agradeço por oferecerem refúgio e digo que irei voltar para casa.


E por casa me refiro a um apartamento que moro. Ao começar a me despedir sinto um peso no coração e me pergunto se é apego. Expiro convidando ao deixar ir. E com a intenção de não deixar marcas de apego em um local tão belo.


Abro espaço para esse sentimento que tem me povoado desde que acordei. A sensação é de separação e de ruptura. O rosto e a garganta começam a ensaiar um choro pesaroso. O pensamento agressivamente diz que sou uma criança e que isso é birra. E o coração incompreendido responde com suas palavras suaves e explica que cada vez que vou da natureza para o apartamento, simulo a separação de algo inseparável.


E que não é sobre ter uma casa com um jardim já que eu não quero ter natureza eu quero ser da natureza.


E sim, a natureza nos cerca o tempo todo e mesmo em um apartamento, mas não é isso que meu coração está dizendo. Ele menciona a natureza que transborda e permite descobrir a imensidão das tonalidades de verde. Ele diz da natureza em forma de pé de jabuticaba que é um receptáculo para a minha prática diária de meditação. Ele quer uma natureza que sussurra uma sabedoria que já mora aqui dentro, sobre como regar as plantas ou se conectar com aranhas engenheiras em suas teias e seus ovos. Ele diz sobre o contato inesperado com um esquilo em uma tarde de sexta, em que você o olha e se conecta com ele e de alguma forma vocês prestam reverência um para outro, como coabitantes.


Não é uma birra de criança e sim a descoberta de que não faz mais sentido vivermos separadas. Nunca fomos separadas. Vem a minha cabeça títulos de contos “A mulher que queria ser arvore” e “Os pés que reconheceram o caminho para casa”.


Sonho que cada dia meu corpo, fala e mente possam repousar na natureza simples, selvagem e inocente.


Esse texto também honra cada pessoa que permitiu que esse espaço lindo pudesse existir, são como as guardiãs e guardiões da natureza.

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