• Driele Quinhoneiro

O medo de confiar no corpo

Acordo com dores que sinalizam cólica menstrual. Estranho! Já não tinha acabado a menstruação? Inicio a meditação e sinto a movimentação na região do útero. Termino a prática e questiono “Corpo você está doido?” “O que será que isso quer dizer?” “Será que preciso ir ao médico?”. Abro o navegador e digito: é normal menstruar e parar e voltar depois”. O ritmo acelera. Vem a agitação. O medo. “Será que tenho ovário policístico? Por isso das cólicas e dessa vez diminuição do fluxo menstrual?” “Será que toda investigação do ciclo menstrual com Mindfulness e diário lunar não vale de nada?”. “EU PRECISO QUE ALGUÉM ME DÊ ALGUMA CERTEZA DO QUE ESTÁ ACONTECENDO".


Ufa! Sigo uma respiração completa. Inspirando e expirando com calma. Repito mentalmente estou aqui para você corpo. Inspiro e expiro e digo ao corpo: você é digno de confiança.


Confiar no corpo é um treino e não acostuma acontecer naturalmente. Comecei a confiar no corpo para reconhecer a fome e saciedade e hoje parece tão natural, quase como uma dança ao longo do dia: noto a fome, como, sinto a sensação de saciedade, reconheço a satisfação e horas depois essa dança recomeça. Gostaria de dizer que nem sempre foi assim e ao me aproximar do meu ciclo menstrual com Mindfulness, relembro de como pode ser assustador confiar no corpo e não ter ninguém de fora te dizendo exatamente o que está acontecendo. Claro que mantenho as minhas consultas regulares no ginecologista, mas é intimidador reconhecer que eu sou a especialista quando o assunto é MEU útero.


Nas consultas de nutrição escuto das minhas queridas clientes dizerem “Meu corpo não é confiável” “Se eu confiar no meu corpo vou engordar sem parar”. Ao ouvir isso, gosto muito de fazer uma lista de coisas que o nosso corpo faz sem que precisemos nos preocupar.


Imagine essa cena: você está trabalhando e de repente nota que está ficando sem ar e para e diz “Pulmões façam as trocas gasosas”, ou depois de comer você precisa dizer “Estômago modifique seu pH e ative as enzimas de digestão”. Relembrar o que o nosso corpo faz ajuda com que a frase “Corpo você é digno de confiança” ganhe mais potência. Já que o corpo é dotado de uma tecnologia incrível. Quando você olha para o seu celular e fica feliz que é só digitar o nome da rua e aparece o caminho, você também pode se lembrar que basta mastigar a comida e o seu corpo faz todo o resto para te manter viva.


Esse texto é para que você e eu nos lembremos de estar aqui para o nosso corpo. Não apenas em alguns casos e sim com uma grande frequência. Juntas nos lembramos de fazer silêncio e se permitir ser guiadas pelo corpo e confiar na sabedoria milenar dele.


Finalizo com um trecho do livro da Rupi Kaur “O que sol faz com as flores”:


Confie no seu corpo

ele reage ao que é certo e errado

melhor do que sua mente


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