• Driele Quinhoneiro

O retiro em nossa própria rotina

Há mais de um de mês participei de um retiro de silêncio de 10 dias e muitas das experiências continuam vividas para mim, como ir do quarto para a sala de meditação e passar por uma passarela em que inúmeras borboletas estavam por lá. E como toda aquela atmosfera, o silêncio, o mergulho interior combinavam com a sensação de sentir a sincronicidade não organizada de cada borboleta.


Hoje após uma semana que me tirou do rumo e que me senti soterrada pelas atividades, pelas comparações que a minha mente insiste em fazer de como eu deveria ou não deveria ser. Fiquei pensando para onde foi aquela pessoa que pôde encontrar contentamento em apenas sentir a respiração.


Até que notei que o verdadeiro retiro é o que vivo agora na minha rotina. Aqueles 10 dias foram o encontro com o apenas SER, confiando que todo o potencial das habilidade que eu preciso já estão dentro de mim, aqueles 10 dias me colocaram em contato com isso. Esse espaço sábio. Agora já sei um pouco mais como é SER.


Ao visitar esse SER torna-se mais difícil ser engolido pelas coisas das rotinas que nos fazem caminhar rumo a exaustão. E surge uma sensação de muita angústia, não é possível que eu consiga apenas SER em retiros ou durante práticas de meditação. E trazendo essa reflexão para a minha mente, entrei mais uma vez em contato com uma frase “Cuide de si mesmo como se cuidasse de alguém sobre sua responsabilidade”. Senti vontade de me permitir um almoço comigo, degustando cada sensação, de passar algum tempo em uma livraria que já notei que me alimenta.


Quando ouvimos as frases: como encontrar paz no mundo frenético? Como encontrar um espaço de tranquilidade em meio um certo caos que se instaura no final do semestre?

O desafio é nos “retirar” mesmo em nossas rotinas. Sinto que a forma como vivemos tem tantas amarras e sem dúvidas nos deixam mais perto do sofrimento. Qual foi a última vez que nos permitimos apenas SER em nossas rotinas? Deixar a luta interna, as redes sociais, a necessidade de ser diferente, a exigência de forçar o corpo um pouco mais para objetivos que nem sabemos ao certo se realmente são nosso.


E ao escrever esse texto notei uma reação natural de querer ter as resposta, de terminar com uma grande revelação de como fazer isso. De como o amor e a conexão podem salvar. No entanto, a verdade é que não precisa ter a resposta exatamente agora, quem disse que não podemos habitar o espaço do não saber? Quem disse que só podemos abandonar a luta interna quando ganharmos? Quem disse que só podemos sentir contentamento e tranquilidade quando todas as nossas atividades estiveram acabado.


Estranho como nesse momento, sem as respostas, notando como a rotina pode ser esmagadora estou mais perto do SER do que estava quando acreditava que eu precisava “consertar” algo.


Por Driele Quinhoneiro.

#mindfulness #mindfuleating

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