• Driele Quinhoneiro

Sabe aquela sensação “Quero comer algo mais não sei o quê”?

Atualizado: 18 de mai.

Esse é um pedido da satisfação, a nossa satisfação está visceralmente ligada a felicidade. Quando treinamos Mindfulness podemos perceber quando estamos contentadas (outra bela palavra para satisfação) e destravamos algo importante sobre a felicidade.


Voltando para a comida estar satisfeita com a comida envolve um combinado de fatores:

  • Sabor (é um dos primeiros que aparece);

  • Se a temperatura está agradável;

  • Se o preço foi justo, se temos permissão para comer (por isso que a mentalidade antidieta favorece a satisfação)

  • Se estamos com fome

  • E algo que não falamos muito é sobre como conhecer a história do alimento impacta profundamente na satisfação. Nos alimentamos também das histórias do alimento.


Imagine que alguém foi viajar para Bahia e trouxe especialmente para você um coquinho, o Licuri, que foi comprado de diretamente das mulheres que estão envolvidas na produção. Conhecer e incentivar essa biodiversidade sem grande empresas permite que as produtoras recebem uma remuneração mais justa. Imagine como você irá segurar esse licuri? Qual atenção você dará a ele enquanto estiver comendo?

Um grande amigo do Slow Food recentemente me disse a palavra ECONUTRIÇÃO, eu não ousei procurar no google por alguma explicação porque minha mente sabia exatamente ao que ele estava se referindo: a nutrição que vem ao encontrar nossa comida na natureza, ao farejar nossa comida e descobrir de onde ela vem e ao fazer isso descobrir outros alimentos que valem a pena seguir o rastro. Esse farejar traz algo que impacta profundamente em nossas vidas: VITALIDADE e CONEXÃO.


A primeira vez que estive em Florianópolis foi em setembro de 2021 e passei 3 meses aqui sem nem ouvir falar sobre os engenhos de farinha de mandioca. Apenas lembro do sabor de uma farinha de mandioca que veio em uma cesta de orgânicos, mas ainda não sabia que tinha tanta história para descobrir.


Compartilho uma pequena história ao começar a farejar mandioca por aqui:


Conversei com uma mulher pelo whatsapp e marquei uma visita ao engenho, ela me orientou que no domingo próximo fariam farinha. A boa notícia é que de maio a setembro é época da colheita da mandioca e da farinhada. Chegamos lá perto das 10h da manhã, e mergulhamos na história do intercâmbio entre indígenas e europeus (principalmente açorianos). O responsável pela farinha explicou que quando chegaram seus antepassados eles conheciam aquele maquinário para processar o trigo, mas que aqui começaram a fazer com a mandioca. No espaço tinha cestas indígenas e instrumentos europeus como a foto histórica do que aconteceu. A farinha que já estava no fogo quando chegamos demorou 2 anos para ser colhida.

(Podem imaginar isso? Em um olhar bem reducionista perceber que a história daquele alimento já estava acontecendo há pelo menos 2 anos?)


Todo o processo é manual desde descascar, prensar e secar. Depois disso vai para o fogo que dependendo das condições podem ficar lá de 30 minutos a 1 hora. Nesse engenho quem fazia parte do trabalho manual era o Barroso (o boi mais lindo que já vi). Pode existir uma estranheza nessa cena, e muito dela é porque não fazemos ideia da história antes da comida chegar ao nosso prato. A cada pessoa que encontrávamos, tínhamos a sensação de que eram guardiãs de algo precioso. Perguntei ao responsável pela farinhada como ele sabia o ponto da farinha e fui contemplada com a resposta de que o dente dele que diz quando experimenta e pelo aroma. Uau como o corpo é magnifico, essa máquina feita também de poeira de estrela é capaz de informar o ponto da farinha de mandioca. Simplesmente incrível.


Desse processo mergulhamos para preservação e a educação que acontece a partir disso, em uma espaço de terra do sul da ilha de Floripa estão sendo plantadas mandiocas criolas na intenção de preservar. Ouvi algo que também me chamou a atenção “Quando domesticamos uma plantas temos um compromisso com ela de preservar, de cuidar, de manter os processo das natureza".


Outro fato bem interessante é que a farinha da mandioca de Santa Catarina integra umas das 591 fortaleza do Slow Food com o nome Farinha Polvilha de Santa Catarina.


As Fortalezas Slow Food são projetos concretos de desenvolvimento da qualidade dos produtos nos territórios, envolvendo diretamente os pequenos produtores, técnicos e entidades locais. São pequenos projetos dedicados a auxiliar grupos de produtores artesanais e preservar os produtos artesanais de qualidade. Trecho do site do Slow Food

A mandioca é nativa do Brasil e é um patrimônio de comunidades e povos tradicionais. No dia 22 de abril a comunidade Slow Food celebra o dia da mandioca como um belo convite para nós sobre a diversidade alimentar.


Abaixo coloco alguns links para ajudar você a se aproximar mais da história da mandioca, beiju e da tapioca!


  1. Mapa das Casas de Farinha pelo Brasil - https://terramadrebrasil.org.br/casa-de-farinhas/#1605446312972-62a425aa-5431

  2. Visita em Florianópolis (Santo Antônio de Lisboa) - Engenho dos Andrade - as visitas são agendadas por WhatsApp

  3. Slow Food Brasil: https://slowfoodbrasil.org/fortaleza/fortaleza-dos-engenhos-de-farinha-polvilhada-de-santa-catarina/ | https://slowfoodbrasil.org/temas-campanhas/mandioca/#:~:text=Todo%2022%20de%20Abril%2C%20o,%2C%20seguran%C3%A7a%20e%20soberania%20alimentar%E2%80%9D.

  4. Outro lugar onde pode comprar farinhas de mandioca em Florianópolis: Coopafren - https://www.instagram.com/coopafren/


Que você possa incluir a história da comida e aumentar seu contentamento em comer e se relacionar com os alimentos. Fique de olho por aqui e também no instagram que em breve terá mais visitas aos engenhos de santa catarina.

55 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo