• Driele Quinhoneiro

Uma ferida chamada - PESO IDEAL

Nossos pensamentos estão sempre procurando a resposta, e quando o assunto é dieta e perder peso a cada nova esquina parece que agora sim chegamos na resposta: é só seguir um passo a passo e iremos comer saudável e ter o peso ideal.

E uma e mais uma e todas as vezes vivenciamos o fracasso. Um fracasso que deixa uma marca como uma percepção de incapacidade de cuidar de nós mesmas.


“Eu não gosto do que vejo no espelho” “Eu engordei e agora quero emagrecer” “Eu tenho uma armário cheio de roupas que não me servem” “Eu não sei mais o que fazer”


E mais uma vez nossos pensamentos encontram as antigas saídas: UMA NOVA DIETA. Com a esperança de que desta vez sejamos capazes de modelar o nosso corpo exatamente como gostaríamos.

Muitas vezes, dentro das consultas existe uma parte desafiadora. Contar para as pessoas que ninguém pode controlar o peso, nem uma profissional de saúde e nem a própria pessoa (pode ser que a experiência já tenha mostrado isso e sabemos que a ciência também já evidenciou que a regulação do peso é algo bem completo). Mesmo que ela siga um cardápio e se mate na academia, isso não será garantia de nada sobre o peso ao longo prazo, o que é garantido é o sofrimento que esse processo traz, não só um sofrimento para a mente, mas também para o corpo e o coração.

Ouvir que você não controla o peso é muito desafiador. Existe uma mensagem escondida na cultura da dieta que é “Controle seu peso e encontre a chave da felicidade, seja amada, apreciada e atraente”. E se não estamos no controle do peso, como iremos nos encaixar em uma sociedade centrada no peso.

É um buraco que não tem resposta por mais que olharmos para ele. Nesse buraco pode conter um desejo desesperado de emagrecer que não importa o que você faça continua lá.

O alívio vem de dar um passo e olhar para o horizonte e investigar a relação com o peso. E fazer isso é como expor uma ferida na pele dolorida ao sol. E acordar todo o dia com essa ferida e treinar habilidade de ver sua cicatrização dia a dia sem acelerar o processo, porque qualquer tentativa de fazê-lo será inútil e desgastante.

Como profissional da saúde é isso que ofereço para as pessoas, um apoio para que possam realmente fazer algo sobre sua saúde, cuidar dessa ferida é um divisor de água para a real saúde. E nem tudo é só desafio, enquanto assistimos e ajudamos a cicatrizar podemos aprender a visitar o estômago “a terra desconhecida”, podemos aprender que textura na boca trazem prazer, podemos encontrar a medida de comida que é bom para o corpo, mente e coração. A como movimentar o corpo fora do contexto da perda de peso. Como é viver sem culpa ao comer e muito mais.

Se você nota que agora é a hora de vivenciar um pouco deste bálsamo faça parte da próxima turma do Destravando o comer compassivo no dia a dia, permita-se oferecer a sua relação com a comida um pouco de diversão e prazer, e está tudo bem se você não faz ideia de como fazer, faremos isso juntas.

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